quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

REFLEXÃO PEDAGÓGICA

Recebi a seguinte mensagem:

"os alunos teriam que passar pela dona mariana que hoje e falecida dona zigue  que e mae do ze antonio pardal que faz arreparo em maquina de lavar que so olhava os alunos com uma regua na mao de metro e mandava nas pernas dos alunos que fasia bagunça hoje voces professores sao 1.000000; nao estou disfasendo delas so que na epoca essa era a lei tinha que obedecer, eu ja vi alunos de cara pra parede........."

Fico feliz com a nova postura adotada por nós professores, mas não posso deixar de ficar triste com os erros do texto acima.
Fizemos uma mudança necessária, no que se refere a dimensão afetiva do ato de ensinar, mas como um aluno pode concluir o Ensino Médio, levando consigo tantos erros na escrita?
Isso nos faz pensar no que estamos realmente ensinando a nossos alunos.
Grande tarefa a do educador do séc. XXI: aliar as questões éticas, afetivas e tecnológicas a um ensino de qualidade explícita.
Não podemos nos perder novamente, o momento é esse!

Rosivar Marra Leite
Professora Licenciada em Matemática e Especialista em Informática Educativa
Coordenadora Pedagógica

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O MORRO DA MANGUEIRA


Divanir era o irmão caçula do Seu Zizito que morava na Candiba. Era completamente diferente do irmão. Adorava uma piada, levado já era desde pequeno, todos o consideravam um doidivanas.

Em época de Carnaval, o Valão da Onça todo aguardava para ver o bloco do Divanir. Homens vestidos de mulher, com os rostos maquiados, bêbados de cair, tocando seus pandeiros, bumbos e cuícas. Naquele chão de terra, a poeira subia altiva com a passagem dos componentes que animavam a multidão que acompanhava tudo enfeitiçada. As crianças perguntavam:

- Mamãe, aquilo é papai vestido de mulher? É não, é?

A mãe rindo respondia:

- Filho é Carnaval, seu pai está fantasiado!

- Ele está torto? Parece que vai cair! Mamãe papai está “de queimado”!

- Querido, a gente diz, “Papai está de fogo!”

E assim a turma se divertia. As crianças estranhavam e aos poucos imitavam os passistas enlouquecidos, que em coro cantavam as marchinhas do Seu Eugênio, pai do Divanir e do Seu Zizito:

“O preço da canjiquinha
Parece uma vergonha
Até na mesa do rico
Faz-se mesmo cerimônia,
O preço do capadão
Já chegou a quarentão
Ninguém vai poder comprar.
O remédio que nós temos
É comer sem temperar!”

 

Ou então, outra cantavam:


“Eu fui na venda do Marra
Com uma grande intensão
Cheguei e pedi fiado
Ele me disse que não
- Amigo, tu me desculpe
Dói a sua consciência
Se eu pegar a vender fiado
Não posso pagar licença!
Voltar de novo na venda do Marra pra quê
Repetir o fiado ele não vai querer
Pois ele torceu a cara
E depois saiu zangado!”


Os Carnavais do Valão da Onça eram mesmo muito animados. A cachaça branquinha ou amargosa era por todos disputada.

Divanir gostava muito também de visitar o Morro da Mangueira, o local onde as putas rameiras desmamavam os rapazolas valonenses. Era por elas muito querido, quando avistava que ele subia a ladeira, cá de cima, Tutu, a mais antiga das vadias, gritava ao dono do boteco da esquina:

- Pedro Briti, é Tutu que tá falano. Tutu, Pedro Briti, aqui do Morro da Mangueira! Olha quem tá subino! É Divanir!

E Divanir subia todo arrumado com perfume de alfazema e flor de gardênia na lapela. Nesse dia chegou mais cedo, Tutu o recebeu na sala com festa, gritou para Angelina:

- Anda Angelina, Divanir já chegou! Acaba logo esse banho, que eu preciso da gamela pra bater a broa!

Nunca mais ele comeu da famosa broa de Tutu, o gosto estava explicado, mas como era muito debochado, ele mesmo servia a broa para os desavisados. O baile começava às sete horas em ponto. Lá chegavam os homens ansiosos, Getúlio já abusando da bebida, colocava o instrumento para fora e batia com ele na mesa das broas dizendo:

- Olhem o trado! Tá chegando o trado!

A mulherada às risadas, gritava:

- Guarda o grandão, Getúlio! Assim você vai assustar as donzelas!

Assim era a noite inteira: broa de gamela, música para arrastar o pé na terra batida e nos quartos os gemidos sem pudor do mais profundo e vendido amor. Tudo ia noite adentro, até que às vezes Dona Loca, com seu pau-de-macarrão estragava a festa, atrás do marido Julião, aos berros espantava os mais santos rapazes da cidadela.

Quando tudo corria bem, era o galo que cantava brando, para não incomodar os amantes, anunciando o fim da função. Quando o dia clareava, o azul no céu despontava, a vida lá fora recomeçava, até que novamente a noite caísse e nos quadris frágeis e gentis, o trabalhador do dia encontrasse sua recompensa e novamente seu lugar feliz.


sábado, 5 de fevereiro de 2011

RAPIDINHAS DA CIDADELA

Numa cidade perdida nos confins do Brasil:

Situação 1:
- Fala meu camarada! Tem bagulho aí?
- Não, amigo. Parei, tô limpo faz tempo!
- Rapaz, como eu fico, me arranja um, afinal sou pai de família!

Situação 2:
- Amiga, você sabe a nova moda na piscina?
- Não. Tem muito tempo que não vou ao clube. Conta, quero ficar fashion!
- Você não deve ir ao clube sem três coisinhas básicas: salto alto, bolsa de couro e uma toalha bem novinha.
- Como assim? Explique!
- O salto alto e a bolsa de couro é para você chegar abafando.
- Mas na piscina? A toalha eu concordo, item necessário!
- Calma linda, a toalha é pra você desfilar enrolada como se estivesse saindo do banheiro da sua casa!
- Menina, tô por fora mesmo! Fala sério!

Situação 3:
- Amiga, tive uma ideia inédita!
- Fala, tô louca pra saber!
- Vou escrever um livro e lançá-lo por conta própria. Faço uma reuniãozinha num auditório de colégio. Que acha?
- A ideia é muito boa, mas não teve uma moça que lançou exatamente um livro assim no ano passado.
- Hello! Ano passado passou, minha filha!  Você tá querendo roubar minha ideia! Que invejosa você!

Situação 4:
- Tô tão feliz!
- Por que, me conta a razão!
- Consegui uma otária pra fazer todo o trabalho pra mim!
- Mentira?
- A babaca faz tudo e eu fico com os créditos! Quer melhor motivo pra comemorar?
- Delícia! Vamos pedir mais uma cerveja!

Situação 5:
- Amigo, venha cá!
- Fala, qual é?
- Tô sabendo que você pegou a minha mulher!
- Pô cara, que isso!
- Não adianta mentir!
- Tá certo, peguei e daí vai encarar?
- Só quero saber umas coisinhas: você beijou ela?
- Beijei!
- Abraçou?
- Abracei!
- Tirou sarro?
- Sarrei!
- Você transou com ela?
- Não, transar não transei!
- Valeu amigo! Tá de boa! Obrigado, tava pensando no pior!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

QUEM SOU EU

                   Um dia decidi esconder eu mesma de todos e de mim. Achava mais prudente não mostrar a pessoa ridícula que sou. Talvez estivesse certa nisso, mas mudei de ideia e deixei-me ver. O grande equívoco é me viram, mas nada enxergaram.
          Eu sou desse jeito: acredito na beleza. Vejo o mundo de cores vibrantes, me emociono com a chuva caindo, o vento ventando e as pessoas sorrindo sorrisos verdadeiros. Gosto de conversa solta, de contar histórias para crianças, de dançar mesmo sem ritmo e cantar com meus agudos estridentes.
          Quando trabalho faço tudo tão perfeitinho, penso em cada detalhe, preparo com dedicação e fico feliz se alcanço  o meu  objetivo. Não desejo poder, nem glória, apenas fazer o que me propus.
          Amizade é importante, amor é indispensável, ética é primordial. Não vejo outra forma de viver, assim vou nadando contra a correnteza, com minha cara de babaca. Cada vez que abro a boca, caramba, incompreensão!
          Não posso voltar atrás, esconder-me novamente não vai dar. Não serei eremita de mim mesma. Falarei com aqueles que me dirigirem a palavra, e direi o que penso, não posso voltar.
          Dia desses me disseram "Amiga, quando você conhecer um cara, não mostre que você é inteligente, que é escritora, isso afasta os homens, eles se sentem ameaçados", mas como posso me ocultar?
          Não vou desistir de mim. Prefiro a solidão a não poder dizer o que penso. Então decidi: no trabalho, chega de ser saco de pancada, vou me retirar, mas não vou me vender. Prefiro poucos amigos à casa cheia de gente que não tem nada a ver comigo. Se um homem me quiser, vai ter que entender que não posso fingir ser o que não sou, tenho trinta e muitos num corpo bonito, mas sou uma mulher inteira, com opiniões, não abro mão delas.
          Cansei de explicações tortas, imagens distorcidas da realidade, de gente que nada tem a acrescentar.
          De agora em diante, aviso: estou a favor do tempo, enquanto meus pulmões respirarem, sem nada a temer, sou  artesã de mim mesma.

       

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

INVEJA


Inveja, mesquinhez, desdém
Pobre alma descontente
Procura no outro o que não detém
Faz questão de tão pouco
E ridiculariza o que tanto deseja,
Seja firme
Procure seu caminho
Lute pelo que acredita
Mude de partido,
Conte apenas consigo
Deixe os outros em paz
Porque apenas o mal lhe compraz,
Mude de conduta
Peça ajuda
Mas não seja tão pequeno
Neste mundo você não é tão ingênuo,
Perceba a sua pequenez
Pare de invejar
E seja mais feliz,
Assim trilhando esse caminho
Algo me diz
Que sua vida está por um triz,
Não desperdice seu tempo
Querendo o que eu construí,
Trabalhando, lutando, estudando
Você pode fazer igual,
Basta mudar de atitude
Construa o que é seu
Deixe aquilo que é meu...


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

RETORNO


De volta ao meu canto
Sem muito encanto
Assim retornei,
Trabalho desde menina
Já cansada estou da rotina
Mesmo assim recomecei,
Animada não estou
Mas cumprirei meu dever
Esta é a minha sina,
O que mais amo nesta vida
É escrever,
Quem sabe um dia
Das minhas letras hei de viver...

domingo, 16 de janeiro de 2011

AS PRAIAS DE NATAL


No Cotovelo as ondas batem forte
O visual das falésias deslumbra
Em Pirangi, forte também
Águas quentes e perigosas
Banhei-me feito criança
Os amigos fizeram troça
Tirei foto de pirata
Pescador deu conversa não
Tecia sua rede
Tomando cervejinha e olhando o chão
A moqueca com leite de coco
Comi com grande satisfação
Rânia, Igor e Raysa
Me chamaram a atenção
Em Pitangui tem lagoa
Lá foi só curtição
A mesa ficava na água
Com peixinhos me beliscando
Esquibunda fiz não
Mas subi num jegue de mentira
E fiz pose pra fotografia
Na Praia dos Artistas, fiquei extasiada
Surf pros corajosos
E lagoas nos recifes
Para os que gostam de calmaria
Deitei nas águas tranquilas
Olhando o mar explodindo nas pedras
Outra coisa quero não
Fiquei ali sentindo
A mais gostosa solidão
Deus velou por mim
Eu em singela oração
Sol, vento, mar...
Vou ficar aqui em Natal
E pra casa volto não...