domingo, 24 de abril de 2011

COELHINHA DA PÁSCOA

Hoje, domingo de Páscoa, mais uma vez recebi a visita da Coelhinha da Páscoa. Durante todos os anos da minha vida, ela não deixou de aparecer. Minha irmã e eu desde pequenas esperávamos ansiosas por ela. Agora, no auge de seus sessenta e quatro anos, ela trouxe um lindo ovo para gente: um Ferrero Rocher.
Ontem, ela na hora do almoço disse:
-Este ano, não haverá chocolate, afinal vocês disseram que eu não deveria gastar dinheiro com isso.
Bobinha ela, claro que eu sabia que meu chocolate já estava comprado, aí retruquei:
-Ah, momãe! Quero pelo menos um bombonzinho! - a chamo de momãe, assim ela se tornou a única em todo mundo.
Inocente, respondeu-me:
-Você acha que não comprei o chocolate de vocês? Bobinha você!
E riu carinhosamente, quando concluiu:
-Para mim vocês não vão crescer nunca! Sempre serão as minhas meninas!
Adorei receber mais uma vez a visita da minha coelhinha e não pensem que ela está velhinha não. Continua uma linda coelha, com os pelos e olhos castanhos escuros, saltitando pelo jardim, cheia de energia.
Obrigada, linda coelhinha! Serei para sempre sua menininha, aguardando o chocolate da Páscoa!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

SEM SABER


Ontem ouvi velhas canções e senti saudades. Estranho como roupas, sapatos, cheiros e sabores nos remetem ao passado. Lembrei dos meus avós e do meu pai, pessoas incríveis que fizeram parte da minha história. Aprendi muito nos anos que passamos juntos: vovô delicadamente fez de mim grande parte do que sou, vovó intempestivamente adoçou meu paladar e meu humor, papai responsabilizou-se pelo carinho que tive nessa vida, gestos tão simples e despretensiosos acalmavam minha alma inquieta.
Hoje me sinto privilegiada, meus passos seguem inseguros, mas não tenho medo. Sentimentos incríveis me mantém viva e cheia de esperança. Sigo sozinha pela estrada, às vezes ofegante, outras vezes, confesso, com enorme preguiça. Sou alguém disposta a aproveitar cada instante e guardar na memória tudo que me inspirou, mesmo que tenha sentido imensa dor.
Pouco antes de partir, me restará uma grande certeza, a de que vivi de acordo com minha consciência e jamais violentei a minha alma. Quando minha hora chegar, apenas fecharei os olhos e mais uma vez sem saber, dormirei...

sábado, 16 de abril de 2011

INVERNO EM ESPERA

Inverno que não chega,
Minha alma anseia em segredo
Pelo vento frio,
Que sopra da velha serra.
A noite insegura,
Ensaia a primeira neblina
No meu corpo um arrepio,
Se transforma em taciturna angústia.
Será que nesse inverno,
Uma chama quente anunciará
O prelúdio de um amor,
Que o tempo teima em não apagar...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

PEQUENO POEMA


Bela tarde de música,

Ouço mágica canção,

Minha alma ensaia voo,

Num sublime refrão...

Viver coisa mais linda,

Apesar dos perigos,

Da tortuosa estrada,

Vou caminhando descalça,

Sentindo a poeira e as pedras do meu chão...

Dia desses crio asas,

E fujo de vez para a fantasia,

De ser importante,

Apesar de tão pequenina...

sábado, 12 de março de 2011

O FIM E O INÍCIO

      O Carnaval passou e com ele foi a timidez que inicia o ano, agora com as mangas arregaçadas nos damos conta de todo o trabalho que temos que realizar. A chuva que caiu lavou as reminiscências do ano que passou e ainda persiste até que nada sobre, são as águas de março, limpando as almas.
      O céu cinza e o vento que sopra sorrateiro instigam um sono no corpo neste sábado preguiçoso, que parece prelúdio do inverno que anuncia um novo tempo. O baú de compromissos está abarrotado: tarefas profissionais, cursos, leituras que estão por terminar, imposto de renda por fazer, checkup médico e, pesquisar os roteiros das viagens que pretendemos fazer.
      Planos e objetivos traçados que necessitam de ações concretas para se realizarem. E ainda temos as questões íntimas que precisam ser analisadas: o que queremos de fato, se almejamos mudar algo em nossa personalidade, quais as atitudes que devemos tomar para vivermos bem nossos relacionamentos com amores, amigos e família.
      Após a quarta-feira de cinzas, a fênix ressurge com seu ímpeto de vencer, estamos prontos então, com nossas amplas asas abertas, voando cada vez mais alto, apenas recomeçando...

domingo, 27 de fevereiro de 2011

VERDADE INCONTESTÁVEL

         
          Globalização de ideias: fato. Não importa se numa metrópole ou cidadela, hoje todos nós temos acesso a todas as informações e, na verdade, somos bombardeados por elas. Observando os filmes estrangeiros, a forma como nos vestimos é a mesma, apenas adequada ao clima de cada lugar, e já assistimos os mesmos filmes, afinal os cinemas fazem lançamento simultâneo, onde o cinema não chega, a Internet disponibiliza. As músicas que escutamos, apenas respeitam  a cultura local, mas ouvimos todos os ritmos do mundo, o que me agrada muito.
          Todos estamos conectados pela Internet, somos agora virtuais, muitas vezes esquecemos até do que é real. Temos cidades on line, administramos as mesmas e, muitas vezes temos dificuldade de gerir nossas próprias vidas.
          O mundo do pensamento coletivo: quando viajamos para o exterior nem nos sentimos deslocados, afinal "mais do mesmo". Vivemos como deve ser, da forma esteriotipada, engendrada ou idealizada por alguém, que talvez tenha lançado moda sem se dar conta disso.
          Pessoas de cidade pequena não existem mais, o que existe são pessoas que pensam  pequeno, em New York ou em Água Preta, tanto faz.  Pensar pequeno atualmente, significa mais do que  não pensar, afinal tudo já está pronto, é não respeitar que os outros insistam em pensar e, consequentemente tenham ideias próprias, que na maioria das vezes são contrárias as coletivas.
          O mundo fica meio sem graça, quando aceitamos essa verdade incontestável, então, nos cabe uma profunda reflexão: como ser um "ser" individual num mundo tão massificado?
          No meu caso, ando nadando contra a correnteza faz tempo. Não deixo de ter ideias, meu cérebro fervilha e aqui neste blog, apenas registro minha existência única neste mundo coletivo.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

INDIGENTE


          Um homem qualquer caminha pela estrada, com os pés esfolados, olhar perdido, sem destino. Alguém avista aquela figura, fica penalizado, resolve ampará-lo. Para o carro, coloca o desconhecido no banco, ele não reage, então, decide levá-lo ao hospital, está com os pés em carne viva, o que será que aconteceu àquela pobre alma? Não sabe responder, apenas acha que está fazendo o correto.
          Deixa o homem na companhia de médicos e enfermeiros, com a consciência tranquila se despede, mas o homem mantém o olhar distante, nem mesmo percebe sua saída, não esperava agradecimento mesmo, percebera desde o primeiro momento que ele não estava lúcido.
          Os médicos o examinam, nada grave, os pés estão em carne viva, parece ter andado muitos quilômetros descalço, os enfermeiros fazem a higiene corporal, percebe-se uma tatuagem, os dentes parecem bem cuidados, as primeiras perguntas demonstram sua desorientação, não sabe de onde é, nem o próprio nome.
          Talvez, seja um andarilho, um bandido, um indigente qualquer, mas como saber? É possível também que seja ente querido de alguém, que esteja desaparecido, podem estar procurando por ele em algum lugar, sofrendo, em desespero com seu desaparecimento. Provavelmente foi atendido em outros lugares e, logo em seguida liberado com algum dinheiro sem que ninguém tivesse interesse pelo caso.
          Três dias passam, ele está quieto, alimenta-se, dorme, recupera-se das feridas nos pés. De repente algo acontece, sua atitude muda, descontrola-se, fica violento, então é sedado. A assistência social e psicológica  é acionada, detectam um surto, acreditam ser esquizofrenia. Uma fisioterapeuta, um enfermeiro e alguém da área burocrática, decidem ajudar. Pedem que aguardem antes de trasferi-lo ou liberá-lo.
          Conseguem descobrir seu nome, sua cidade natal, fazem contato e aguardam a localização de familiares. O sobrenome no Google parece ser de uma família importante do Sul do país. A expectativa é grande, estão esperançosos em devolvê-lo a sua família, para que receba o tratamento conveniente e, esteja protegido dos perigos da estrada.
          A chefia do hospital diz que não pode continuar ocupando um leito com ele, pedem mais uma noite, caso não consigam identificá-lo, será transferido para uma casa de repouso, ficará aguardando lá, até que seja localizada a família.
          Uma ideia surge: vamos fotografá-lo e pedir que assine seu nome, ele já consegue fazê-lo, assim enviamos os dados para facilitar o trabalho das autoridades de sua cidade natal. Chegam à porta do hospital, animados, de repente, a notícia estarrecedora: "O paciente foi embora!".
          O desfecho não foi o esperado, primeiro indignação com o desrespeito pela vida humana, depois um abatimento na alma com tamanha desumanidade e, por último já em suas casas os olhos enchem-se de lágrimas, afinal, o que pode ter acontecido ao pobre homem. Terá retomado sua caminhada perigosa pelas estradas com seu olhar perdido? Será que num acesso de loucura tenha se jogado de uma ponte acabando com a própria vida? Ou quem sabe esteja sofrendo algum abuso ou violência? Será difícil dormir por algumas noites com esses pensamentos em suas cabeças...