Contos, crônicas, relatos e opiniões...
Aqui é o espaço onde mostro minha essência!
A escritora se confunde com a mulher, externando todas as inquietações da alma de ambas...
Hoje abri um email com imagens de cidades da Europa. Tantos lugares para conhecer, a maioria deles jamais chegarei a pisar. Uma tristeza se apossou de mim. Estranho como tudo pode mudar de repente. Lembrei que durante anos imaginei nunca ver a neve e, quando esse sonho realizei, disse para mim mesma que depois disso poderia morrer em paz. Engano, a cada dia outros planos, mais lugares a conhecer.
Tenho a sensação de que os melhores lugares estão dentro de nós mesmos, são os sentimentos que carregamos bem guardados. Eu, vista por muitos como uma pessoa racional e fria, guardo comigo uma outra faceta que é a real, como diz o poeta "sou um poço de sensibilidade".
Durante anos tive tanto medo e esse medo me paralisou, então foi para escondê-lo que vesti a capa da racionalidade. Às vezes, quando o desespero é grande ainda recorro a ela. Os que me conhecem de fato sabem que sinto imensamente, tudo é muito intenso, amor, bem-querer, desejo, tudo se confunde em mim e dessa vez me entreguei, venci o medo, quis ir a Paris, tomar café olhando a Torre Eiffel, assumi riscos jamais imaginados antes.
Hoje, olhando para mim, um medo doce aparece, não sei ser diferente. Lembro as palavras da amiga, "você é um cristal, cuidado!". Sei que ela tem razão, afinal me conhece bastante para saber que não sou forte, não sou racional, não lido bem com alguns sentimentos, mas não há mais nada a se fazer.
Agora, só me resta tentar manter a lucidez e seguir em frente, quem sabe Paris ainda aconteça para mim.
Dia de muito sol na minha cidade. A vida aqui passa às margens do Paraíba, nosso rio cor de doce de leite, ontem almocei num restaurante olhando suas águas caminharem tranquilas, de certa forma estava mais confiante e mais calma também.
Tenho uma vida repleta de pressa e aproveito esses momentos para acalmar minha alma. Na semana que passou trabalhei exaustivamente, organizando as tarefas após um breve período de férias, sempre passa muito rápido o descanso, o tempo teima em me lançar ao labor. Decidi ser mais tolerante e falar bem menos, delegar, esse será o meu verbo. Preciso aprender a não me cobrar a responsabilidade integral no trabalho em equipe, tenho necessidade de aprender a dividir.
Aqui em minha casa, está tudo mais tranquilo também, visita em casa é ótimo para estabelecer a união da família. Minha mãe está tão cortês, minha irmã tão bem humorada, estou num paraíso artificial, espero que a bem aventurança permaneça por alguns dias.
Passa das duas horas e, meu estômago agora dá os primeiros sinais de fome. A mesa está posta na sala e chega ao meu olfato o cheiro agradável da comida. Aguardo um pouco mais para satisfazer a necessidade do paladar, enquanto espero com uma leve ansiedade o meu celular tocar.
Um sentido ainda aguarda para ser despertado, a audição,que insiste em querer ouvir a voz dele, falando palavras doces e incentivando minha vontade de tê-lo mais uma vez.
Assim, interrompo a minha escrita, com os chamados para sentar-me à mesa e deliciar-me com os sabores, mas meu coração meio aflito teima em buscar ouvi-lo, então só me cabe comer e esperar o celular tocar.