quinta-feira, 5 de setembro de 2013

BUENOS AIRES


Do avião avistar Ezeiza
Em terras portenhas aterrizar
O portunhol dito às avessas
Para tapa de la cuadril saborear
Ah, quantos sabores
Caminito de muitas cores
Faz alegoria ao Malba 
Enfeitado de bolinhas vermelhas
Para a artista Kusama homenagear
Tanta cultura em El Ateneo
Livros tantos guardados num grande teatro
Apenas mais um show a parte
E o tango?
Ah, quanta sensualidade!
Seja nos Los Angelitos ou no Piazzola
Pernas, mãos e braços
Cinturas, peitos e tornozelos
Tudo num inexplicável enlace
Ir a estação de San Isidro
Navegar no Rio Tigre
Onde as ruas são feitas de águas
Calmas, mansas e por vezes agitadas
Depois seguir pelo Mar del Plata
Uma imensidão de rio
Apelidado de mar
Tanta alegria no vento em meus cabelos
Tanto amor nos nossos beijos
Aportar em Puerto Madeira
Puente de la Mujer atravessar
Para do outro lado mais cidade pisar
Jogar no Cassino Flotante
E ainda por cima ganhar
Sempre com você
Seja em Buenos Aires, 
 Aqui, lá ou acolá
Quero mesmo é em seus braços para sempre ficar... 

 

  


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

NOITE NA TABERNA


Conservatória no estado do Rio
Uma viagem em que o GPS deu trabalho
Demorou, mas chegamos ao Hotel Florença
Pura história no ar
A casa grande imponente
A roda d´água girando tranquila
A seresta do seu Pedro
O sarau do Barão Negro
O cheiro vindo do fogão de lenha
Uma breve viagem no tempo...
A noite grande atração
Ir ao centro no bar Taberna
Uma efusão de ritmos e esteriótipos
O cantor é quem menos canta
Nesse bar que parece de fantasia...
Tem o baixinho a la "Coisinha de Jesus"
Tentando a todo custo
Acompanhar o samba da mulata de ancas largas
Que do bar parecia figura cativa
Que também cantava Ana Carolina
Marisa Monte, Rita Lee, entre outras divas...
Não menos interessante
Despontava uma jovem senhora 
Com alguns anos a mais de sessenta
Dançarina de primeira grandeza
Nos lembrava as funkeiras de agora
Ia ao chão num rebolado insano
Virava o corpo em movimentos elípticos
Parecia dançar na velocidade dez
E muitas vezes nos assustava
Numa torcida contrária
Mentalmente dizíamos
Agora ela cai  ao chão
Mas num rápido mudar de passos
Ela conseguia completar a rotação
E nossos olhos não acreditavam
No que viam então...
Só perdia para as irmãs de shortinho
Cada uma com cor diferente
A idade não impedia
Que as pernas fossem instrumento
Para de todos angariar atenção
Belas com seus saltos, maquiagem e bebida
As coroas periguetes
Um show a parte na noite do Taberna...
O senhor oriental 
Tinha uma sensibilidade acima da média
Quando se encaminhou ao palco
Suscitou risadas daqueles que o subestimaram
Com tamanha destreza
O danado cantou em inglês, francês e espanhol
Deixando a multidão espantada
Com tamanha encenação...
Ah, o dono!
Senhor encantador
Uma energia contagiante
Geria o corpo de garçons
Que frenéticos atendiam aos fregueses
Num vai-e-vém de muitas bandejas
Repletas do néctar estonteante
Que dava ânimo aos cantores e dançarinos 
Num amadorismo de primeira grandeza...
Até mesmo eu me rendi
Com uma nada ajudinha de Julio
Que acenando ao cantor
Disse que Rose ao palco subiria
Meu coração disparou
Com um sorriso muito amarelo
Me aproximei e Eliz Regina cantei
Com  "O Bêbado e o Equilibrista"
Bebi e me equilibrei
Aplausos vieram em seguida
Sentei na mesa entorpecida
E mais um gole de cerveja tomei
A noite na Taberna é assim
A gente nunca sabe como termina
E quando termina deixa um gostinho de quero mais...

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

DESPRENDER-SE...


Olhei as pétalhes murchando lentamente
Não queria abrir mão de algo tão belo
Fui acompanhando o agonizar dela
Enfim percebi que precisava algo fazer
Por alguns instantes conversei
Disse que ela precisava ir embora
Suas raízes pediam solo firme
Dele se nutriria
O vento fresco tocaria suas pétalas 
O sol aqueceria seu caule
E novamente a vida voltaria lentamente
Ela obedeceu
Ergueu-se e cumpriu meu desejo
Foi-se então...
Compreendi naquele instante
Com lágrimas nos olhos
Vendo minha orquídea partir 
Que às vezes é necessário 
Desprendermos 
Dar asas
Abrir mão
Porque somente assim
É possível dar chance
Ao ser amado de reviver
Aprendi com isso
Que deixar partir também é amar...

quarta-feira, 24 de julho de 2013

ALIANÇA


Escolher se de ouro branco ou amarelo
Os detalhes e tamanho 
A senhorinha sorridente
Dizendo que não pode ficar muito larga
Experimentar e mandar gravar
Ficar na expectativa
E por fim ir pegar
Nossos nomes gravados
Na reluzente aliança
Um na mão do outro
Ouro branco e amarelo
Um objeto tão pequeno
Capaz de expressar grande compromisso
Estamos noivos
Fazendo planos para uma vida plena
Tanto amor 
Felicidade imensa
Assim uma aliança eterna
Rose e Julio
Para sempre juntos...

terça-feira, 18 de junho de 2013

ENTÃO


Quanta bobagem já disse nessa minha pequena existência
Eu sou um caso perdido
Tenho a infinita capacidade de ter opinião quando o melhor é calar-me
Fico abismada com a minha imensa burrice 
Gênio ruim é o cacete!
Tenho mesmo é inaptidão congênita para opinar sobre a vida
Insana como sempre falo demais
Devia é ter a boca costurada
Não me aguento mais tentando dar murro em ponta de faca
Desisto!
Prometo não me colocar nunca mais sobre assunto que não me diz respeito
Mas afirmo que também não quero tomar conhecimento de nada que envolva a questão
De agora para frente serei indiferente
Assim quem sabe consigo me eximir de qualquer aborrecimento
Fica decidido então...

terça-feira, 11 de junho de 2013

GRATIDÃO


Nunca vou esquecer que quando o choro desesperado me consumia
Meu olhar louco pedinte te perseguia
Você a tudo esquecia
E em seus braços me aconchegava
Eu então me acalmava
O meu corpo que em movimentos incontroláveis se contorcia
Ganhava calma e suavemente descansava
Um sono leve e inconstante 
E sua presença era a única que me consolava
Nunca vou esquecer que quando a razão quase me abandonava
Quando o mergulho nas águas do rio era pensamento costumeiro
Ouvia seus passos se aproximando
E assim minha ideia ia mudando
Eu ganhava força para resistir 
A imensa vontade de morrer
Quando apavorada a ninguém queria ver
Nem mesmo a um transeunte anônimo
Na minha enfermidade da alma
Você me fazia companhia
Sentadas embaixo da árvore grande e verde
O tempo ia passando
Respirava fundo e a vida para mim ia voltando
Assim foi e me lembro como se fosse hoje
Nenhum bem pode ser maior que esse
A mim cabe imensa gratidão
Apenas retribuo dizendo
Que nada pode ser maior que amor de irmã...

sábado, 25 de maio de 2013

MÃE CARAMUJO

Linda poesia da amiga Kátia Santarém:

Caramujo.
Que saudade dos meus filhos!
Quão vazia está a casa 
e eu rasgo o silêncio com a música.
Ela preenche meu ser,
mas corta como lâmina afiada.
Essa saudade dilacera,
mas eu a guardo.
Não conto, não choro, não grito.
Me recolho em mim mesma.
Caramujo...